Coimbar

Sacou a sacadinha? Coimbra + bar = Coimbar? Hãn? Hãn? :)

O coimbricense não vai a bares, vai a cafés. Boite nem pensar, que é coisa de puta. Rapariga de família vai para discoteca. Que confusão! “Pois”, nos cafés, o negócio é tomar finos (chopps) e comer tremoços. Nada de caldinho ou mesmo batata frita (que aqui se consome como nós aí consumimos arroz-e-feijão). O negócio é o tremoço, que, segundo a Wikipédia, deixa o camarada doidão:

Os tremoços são as sementes das plantas fabáceas conhecidas como tremoceiro (especialmente o “tremoceiro-comum” – Lupinus albus), pertencentes ao género Lupinus e usadas na fixação de azoto nos solos. A semente, de cor amarela, não tem aproveitamento agrícola e é geralmente vendida e consumida em conserva como petisco ou aperitivo (acepipe), sendo muito comum em cervejarias de Portugal e em alguns bares no Sudeste do Brasil.

O tremoço in natura contém um aminoácido neurotóxico que o veda ao consumo humano, além de uma série de substâncias alcalóides dotadas de efeitos neurotóxicos e hepatóxicos do grupo da quinolizidina, como a lupanina, ou lupinina, mas isto só ocorreria com o consumo do grão fresco ou seco, e em grandes quantidades e por longos períodos.Para poder consumir os tremoços sem risco, eles devem ser cozidos e depois cobertos de água mudada com frequência por diversos dias até perderem o seu amargo original, com a eliminação dos alcalóides. Assim preparados, os tremoços não oferecem qualquer risco à saúde.

Mó louco…

Internet e banho quente

Pois é, filha, hoje em dia, uma boa conexão à Internet é tão imprescindível quanto um banho quente quando o assunto é lugar para morar. Você pode muito bem viver sem ambos, mas o incômodo é tanto que abdicar de qualquer um deles é inimaginável. Em pouco mais de 20 dias aqui no Trindade 1, tive que comunicar à proprietária ontem que vou começar a busca de um novo lugar para ficar, quebrando o compromisso de um tempo mínimo de 3 meses. E não foi por falta de aviso:

Em 8 de janeiro:

Olá, ***,

Aqui quem escreve é Fernando de Holanda, o estudante brasileiro que está a arrendar o quarto de nº 6 do Trindade 1. Escrevo-lhe para relatar que tudo corre em perfeita ordem nestes meus primeiros dias de estada, exceto pelo fato de que a conexão com a Internet é sofrível, o que vem prejudicando o desempenho de minhas atividades profissionais no Brasil, as quais mantenho de forma remota. Não sei se cheguei a comentar contigo, mas a Internet é um ponto crucial para mim, já que dependo dela para manter meu emprego. Já por dois dias consecutivos tive que dirigir-me ao Café Couraça para poder utilizar a Wi-fi Zone de lá. Gostaria de saber se é possível providenciares alguma revisão técnica nesta conexão, para verificar se há algum problema com o equipamento utilizado (o roteador de sinal) ou mesmo se o plano de dados contratados é insuficiente para a demanda.

Conto com tua compreensão.

Em 18 de janeiro:

Prezada ***,

A situação permanece a mesma. No dia de hoje, a conexão oscilou tanto que tive que passar a tarde inteira no Café Couraça, pois, como havia comentado anteriormente, dependo da Internet para executar minhas atividades profissionais no Brasil.

Possuo 3 equipamentos (notebook, celular e macbook) e chequei a variação da banda em todos eles, o que significa que não é uma questão de configuração. Talvez os demais inquilinos não tenham chegado a reportar a situação a você anteriormente, mas aqueles poucos com os quais cheguei a conversar expuseram dificuldades semelhantes à minha. Inclusive já cheguei a encontrar um deles reiniciando o roteador para reestabelecer a conexão.

Muito provavelmente o fato deve-se ao plano contratado com a operadora de telecomunicações. Uma vez que a banda é compartilhada por diversos usuários, talvez seja o caso de rever a taxa de fluxo de dados contratada.

Peço-lhe que, por favor, verifique esta solicitação, uma vez que, caso a situação permaneça, infelizmente, terei que buscar um outro sítio, apesar de estar bem satisfeito com este alojamento até então.

Certo de sua compreensão,

E, por fim, em 25 de janeiro:

Prezada ***,

Cá estou eu novamente no Café Couraça por causa de problemas com o acesso à Internet no Trindade 1. Infelizmente, a situação tornou-se insustentável para mim. Até mesmo um comunicado do meu superior no Brasil recebi no final da semana passada. É pesar que pedirei-lhe a gentileza de devolver-me a caução depositada ao encontrar um novo alojamento após a busca que iniciarei na data de amanhã.

Meus cumprimentos,

Como já diria NASCIMENTO, Capitão: Perdeu, playboy!

PS: A imagem que ilustra este post é uma fotografia do meu protesto, afixado junto ao roteador que fica aqui bem em frente à minha porta.

Quanto custa viver em Coimbra?

Esse é o tipo de pergunta que todo cidadão que se preza se faz antes de pegar um avião pra viver em uma cidade diferente da sua. Bom, aqui em Coimbra o cálculo é bem simples. E o resultado é bem razoável. Uma vez que esta é uma cidade que vive basicamente em torno da estudantada, os preços em geral são bem acessíveis. Nada de luxo, mas também é tudo de qualidade razoável.

O Aluguel

Há diversos imóveis e alojamentos disponíveis para estudantes. O camarada pode optar por viver em um alojamento, um residencial, uma república ou um apartamento. Em linhas gerais, um arrendamento (aluguel) vai variar entre 150 e 250 euros, dependendo do nível de confoto que você espera. Os jornais locais dispõem de diversas ofertas. A dica é sempre procurar no período de entresafra de estudantes, que acontece normalmente entre os meses de julho e outubro. Além de mais ofertas, o cidadão consegue também melhores preços. Normalmente se pede um tempo mínimo de arrendamento de 2 a 3 meses e há alguns locais que pedem um valor de caução. Fica a dica de procurar sempre um local onde as depesas de energia, água e Internet já estejam inclusas. Para estas ofertas, vale a pena pagar 250 euros. Aqui e aqui há boas ofertas.

As refeições

Há diversas cantinas espalhadas pela cidade, principalmente no entorno do principal Pólo da Universidade, onde se concentram a maioria dos cursos. Neste locais, as refeições, bem servidas, limpas e gostosas, custam entre 2,15 e 2,50 euros. É possível ainda encontrar ofertas de pequeno-almoço (café da manhã) à bagatela de 0,60 euros. Sendo assim, filha, você vai gastar de cumê uns 200 euros, já contando aqui aquela pizza no fim de semana, que ninguém é de ferro pra viver só de cantina. Ah, você pode optar também por fazer umas refeições em casa, não é? Eu particularmente acho que o cabra acaba gastando mais entre pegar o busão para ir e voltar do mercado, tempo e esforço para carregar, preparar, armazenar, limpar, lavar, etc.

O transporte

Andar de busa (autocarro) em Coimbra custa em média 0,55 por viagem. Isso se você comprar um cartaozinho de 6,10 euros, com 11 viagens cada. Viagens avulsas custam 1,50. Os estudantes podem ainda comprar passes de utilização ilimitada, válidos por um mês a um valor de 23 euros. Mas só vale comprar esse se você fizer mais de 42 viagens por mês (média de 2 por dia útil), o que nÃo é o meu caso.

Lazer

O negócio do coimbricense são os cafés. De manhã, de tarde e de noite. É sempre cheio. De manhã toma-se efetivamente café, à noite busca-se algo mais ébrio. O cafezinho em geral custa 0,60 euros e o fino (o famoso chopp) sai por aproximadamente 1,00 euro. Boite aqui é sinônimo de bordel, a rapazeada vai mesmo é para as discotecas, que são até baratinhas, custam entre 5 e 10 euros com o valor sendo revertido para consumação. Você pode optar ainda pelos dois shoppings da cidade (o cinema é meio carinho, mas eu nÃo sei dizer exatamente quanto é, pois ainda não fui), pelo jardim botânico, pelos museus… Enfim, dá pra ser feliz com pouca grana.

Em geral, vais gastar uns 500 euros por mês. Isso dá uns R$ 1.300 mais ou menos. Dá pra desenrolar!

Como manter o armário organizado em pouquíssimo tempo

Funciona de verdade!

Papai Noel em Lisboa

Aqui, o bom velhinho é chamado de Pai Natal. Ouvi dizer que as renas já eram e que o negócio agora é entregar os presentes de comboio!

Mobilização Política em Coimbra

Pode ainda ser muito, muito cedo para dizer que Portugal é um país de jovens engajados politicamente, mas, durante esta primeira semana, tenho notado uma diferença tremenda entre a forma como os jovens encaram a política no Brasil e nestas terrinhas d’além-mar.

Talvez por que seja Coimbra uma cidade fundamentalmente de estudantes – que ainda carregam consigo o sonho de mudar o mundo -, talvez seja por que esta é uma característica mesmo do povo daqui. O fato é que já no meu primeiro dia, me peguei discutindo a função distributiva do Estado brasileiro durante o governo Lula (e isso em plena festa de Réveillon). E no segundo dia, descobri a estátua do fundador da Universidade de Coimbra, D. Diniz, enforcada por um protesto da Associação Acadêmica.

Andar nas ruas da cidade é assistir a um verdadeiro desfile de manifestações, cartazes e pichações, muitas delas patrocinadas pelas juventudes partidárias socialistas (que, imaginem, dominam absolutamente por aqui). Talvez seja muito cedo até para escrever alguma coisa sobre isso. Mas, quem conhece sabe que isso não podia passar em branco.

Depois eu mostro mais… :)

Néctar de Ananás

Ontem fiz a primeira primeira feira aqui nas Zoropa. O total: 4,58 euros. O que comprei: uma lata de salsicha em conserva com 8 unidades, uma lata de atum de 200g, uma lata de feijão verde de 800g, um saco de pão, 4 pacotes de 200g de biscoito maria, 1,5 l de ice tea, 5 l de água mineral e… e… um litro e meio de uma porra de um néctar de ananás! faz dois dias que arroto essa desgraça!

não recomendo!

É hora de se alojar…

Depois de arregar uns diazinhos na casa de Dona Norma e Mirella, tia e prima de Ju (respectivamente), às quais serei eternamente grato, fui em busca do meu lugarzinho definitivo, aqui em Coimbra. Na cabeça, poucos prerequisitos, exceto por um limitante financeiro. Aprendi que aqui há uma classificação relativamente simples para os tipos de imóveis.

Apartamentos são classificados como T0, T1, T2, T3 e assim sucessivamente de acordo com a quantidade de quartos disponíveis (não, animal, o T0 não tem 0 quartos). Além deles, há também os alojamentos, hospedarias e residenciais. A diferença entre eles eu ainda não sei e provavelmente não vou saber até o fim da minha estada aqui na terrinha.

Uma vez que Coimbra é uma cidade fundamentalmente universitária, aqui há muitos imóveis postos a aluguel (que aqui se chama arrendamento). Basta abrir qualquer periódico da cidade, ou mesmo caminhar nas ruas da cidade para ver o tanto de ofertas (se bem que, nesta época, já está quase tudo arrendado).

Tem até uma imobiliária que brinca bem com isso. A Era  se propõe a ser a imobiliária que mais vende casas em Portugal e, para mostrar isso, ao invés de simplesmente retirar as placas de Vende-se ou Aluga-se de frente dos imóveis, eles põem uma faixa por cima, com as inscrições “JÁ ERA”. Criativo, não?

Bom, entre algumas idas e vindas, acabamos encontrando o Trindade 1, um alojamento bem no coração da Universidade de Coimbra, na parte histórica da cidade, que estava com um quarto duplo anunciado no jornal. Dividir quarto com um estranho era uma das únicas coisas que estavam na minha cabeça com um grande NÃO em cima.

Bom, o alojamento é basicamente um casarão histórico reformado (e muito bem reformado), com um banheiro amplo, quartos em diferentes configurações e uma pequena área comum. Cozinha não há e a parte de lavar roupa é bem pequena, mas isso é coisa que a gente supera. O valor do arrendamento ultrapassou um pouquinho minha verba, mas a negociação acabou valendo a pena, já que fiquei com um quarto duplo só pra mim (que deve ter uns 13 m2 mais ou menos) e os 250 euros já incluem as taxas de energia, água, limpeza semanal, papel higiênico (importante!) e Internet (que não é lá muito estável, mas eu já reclamei!).

Não satisfeito com a escolha, produzi um curtametragem com seríssimas restrições orçamentárias. Utilizei uma renomada produtora de vídeo que está na minha família há gerações para chegar no resultado final, que tem a edição de som assinada pelo renomado produtor português Joaquim Manoel. A película chegou a rodar em alguns festivais internacionais, mas preferi mantê-la sob minha guarda, para evitar a exposição excessiva. Sabe como é, né?

Daqui a pouco tem mais…

Xupeta em Figueira da Foz

Ah, e vale ressaltar que, de passagem pela cidade de Figueira da Foz, encontramos ele, o nosso amigo e modelo Thiago Xupeta. E pensar que nós acreditamos que ele realmente estaria na Argentina com Inacinho…

Do Recife a Coimbra

Bom, vamos lá, começando pela viagem. De Recife a Lisboa dormi boa parte do tempo (que grande novidade!), apesar de a cadeira não colaborar muito. Escolhi o documentário mais chato que tinha disponível na poltrona para ver se pegava logo no sono, o que funcionou bem. Ao chegar ao aeroporto de Coimbra, dirigi-me à Imigração, na qual não gastei mais do que cinco minutos e, após pegar um ônibus (que aqui se chama autocarro), cheguei ao terminal 2, onde pegaria a conexão para a cidade do Porto dentro de duas horas. No entanto, o vôo atrasou e, mais uma vez, dei aquela cochilada nas cadeiras do saguão, prontamente acompanhado por minha pagagem de mão e meu violão. Até então, nenhuma grande novidade, a não ser o tamanho dos aeroportos, o grande fluxo de pessoas de diversas nacionalidades, um grupo de prostitutas brasileiras tentando ingressar em Lisboa (que lástima!) e os preços ridículos das Duties Free.
Quando cheguei ao Porto, caí na malha fina da Imigração. Tive a impressão de que o primeiro agente não foi muito com a minha cara, pois ele me indicou a uma outra sala, onde tive que abrir a bagagem e explicar o que eram aquelas ervas secas e aquele pó branco que carregava no fundo falso da mala (brincadeira). Logo consegui levar a agente na conversa (ela não tinha bigode) e seguir em frente.
No saguão, logo encontrei Ju e sua prima (Mirella), com as quais segui de carro até coimbra. Estava com uma saudade danada dela. Quando chegamos aqui, fomos a um café (aqui tem muitos) na Rua do Brasil, onde entramos em contato com a pessoa no apartamento e, após esperá-la por mais ou menos uma hora, nos encontramos. Neste ínterim, demos um pulo em um shopping chamado Dolce Vita, que fica no complexo do estádio de futebol da cidade. Encontramo-nos com a Sra. Manoela e ela nos mostrou o quarto, que, a princípio, é bom, mas a mobília é meio velha, o que não me deixou com uma boa impressão.
Após vermos uma outra acomodação que ela tinha disponível, decidimos que eu ficaria na casa da tia de Ju até a segunda-feira, quando as atividades normais da cidade são retomadas e fica mais fácil de conseguir alguma coisa. Isso não me deixa muito confortável, mas, como é algo provisório e estou sendo muito bem tratado, não está sendo nenhum problema!
No primeiro dia, demos uma geral a pé mesmo, indo até o centro da cidade, passando por algumas hospedarias. Visitamos uma Igreja do século XVI, a Prefeitura da Cidade (que aqui se chama Câmara Municipal) e algumas pastelarias tradicionais. Utilizamos o autocarro para voltar para casa, que funciona pontualmente, é muito confortável e cobre praticamente a cidade inteira. A única bronca é que a passagem não é barata. Para qualquer trecho, paga-se 1,5 euro, mas é possível comprar um bilhete válido por um mês.
Ao final do dia, partimos para uma cidade litôranea chamada Figueira da Foz, que é vizinha a Coimbra. Figueira é uma cidade fundamentalmente de verão, onde as pessoas tem casas (na verdade, apartamentos) de veraneio e tem uma tradição grande de festas. Os amigos do namorado da prima de Ju (ufa!) fizeram uma festa super legal, cuja única falha era não ter uma Wi-fi disponível. Nos divertimos bastante, apesar de termos achado as comidas meio exóticas (aqui, come-se muito frango com a mão, a la D. João VI, leitão e lombo).
Ao acordarmos, demos uma geral na cidade, curtimos uma exposição de carros antigos (Fusca aqui é chamado de Carocha) e, em seguida, vimos para Coimbra. Dormimos cedo e hoje demos uma geral na cidade, visitando o campus da Universidade, que é fantástico. Até então, além do impacto da cidade em geral, o que mais me impressionou foi a estrutura da universidade, que possui cerca de 25 mil alunos, e toda a sociedade montada em torno dela.
Depois eu mando mais notícias!

Inaugurando o blog!

É isso aí, filhas. Pra vocês que tanto reclamaram que eu não mandava notícias sobre a vida aqui em Coimbra, está aí o blog. Agora não acesse não pra você ver!